quinta-feira, 16 de abril de 2009

resumé das minhas férias



Paris étoilé

Paris roule son flot de Seine et de passants
Comme un serpent d’éther aux remous incessants
Strié d’indifférence à laquelle se mêlent
Les éclairs de ces vies que l’on dit parfois belles

Paris sait le complot des rêves oppressants
Qu’illumine l’écho des fracas indécents
Surmontés d’une tour aux ombres infidèles
Qui ne tiendra jamais que de fausses chandelles

Paris porte son lot de peine et je ressens
Celle de nous savoir aux confins impuissants
D’un « peut-être » émaillé de lunes irréelles
Qui déclament des vœux que l’aube rendra frêles

A la tombée des cieux que d’étoiles rebelles

katlan


saudades já :(

P.S: para os menos apreciadores desta bela língua o dicionário ajuda imenso.

terça-feira, 14 de abril de 2009

Ai Constâncio, Constâncio...

Economia portuguesa vai recuar 3,5 por cento em 2009

De início, não recuava. Depois, recuava muito pouco. Agora, recua bastante.

E, assim, o pintaínho vira corvo.

segunda-feira, 30 de março de 2009

mé...


Dedicado ao carneirismo que por aí se vê, felizmente ainda não neste blog.

sábado, 28 de março de 2009

Afinal havia outro...

...modo de pensar na igreja católica. Ele anda lá escondido, sorrateiro, fazendo apenas pequenas sortidas tímidas incapazes de serem uma verdadeira evolução.

O bispo de Viseu (a terra do Dani que vai trazer chocolate da Suiça) saiu a terreiro para defender o uso de preservativo por infectados com o HIV que mantenham uma vida sexual activa. Nas suas palavras (santas palavras.lol) existe um dever moral de não transmitir o bicho da sida para um incauto terceiro adquirente, sendo o preservativo não só aconselhável como eticamente obrigatório.
Antes, já o bispo das Forças Armadas tinha usado da palavra, dizendo que não consentir o uso do preservativo é consentir na morte de muitas pessoas, tendo terminado ainda com uma bela pièce de résistance considerando que as pessoas que estão aconselhar o Papa deveriam ser mais cultas (ponham-se as "" onde por bem se achar, que a mim não me apetece).


Ah, e promovam lá um destes dois tipos a cardeal, p'ra ver se ele chega a papa, é que já lá falta um que tenha a moleirinha em bom estado

Advogados criticam "abuso de poder" de bastonário




"Bastonário dos Advogados publicou no 'Boletim' deste mês um artigo em que acusa a PJ de combinar a carta anónima que deu origem à investigação do caso a que está ligado José Sócrates. Membros da Ordem dos Advogados, ex-bastonários e juízes defendem que, como bastonário, Marinho Pinto, não poderia escrever uma "peça jornalística" naquele lugar".

FONTE: DN

sexta-feira, 27 de março de 2009


Neste blog vai um comer e calar que mete dó... (que a carapuça sirva a quem por bem se achar destinatário)

quarta-feira, 25 de março de 2009

Estudantes anti-Bolonha ocupam faculdades em Barcelona

"Com a acção de hoje sobem para três as faculdades ocupadas por estudantes nas últimas horas depois de acções idênticas, ao final da noite de terça-feira, nas Faculdades de Geografia e História e de Direito da Universidade de Barcelona. Os alunos da Universidade Autónoma de Barcelona (UAB) planeiam ficar encerrados no edifício - que esteve ocupado já durante duas semanas por protestos idênticos em Dezembro - até que sejam ouvidos pela reitoria. Em comunicado, exigem um diálogo com os estudantes e que se declarem legítimos os resultados de referendos realizados aos alunos, respeitando assim a sua decisão de congelar a aplicação do Processo de Bolonha. As ocupações na Universidade de Barcelona, por seu lado, foram realizadas depois de um encontro com mais de 200 estudantes, que acordaram ainda iniciar uma greve de três dias, que se prolongará até sexta-feira. As acções das últimas horas surgem uma semana depois de a polícia ter desalojado a reitoria da Universidade de Barcelona, que esteve ocupada pelos alunos durante quatro meses, também em protesto contra o Processo de Bolonha. Essas acções policiais acabaram numa batalha campal entre estudantes e polícias que causou dezenas de feridos, entre eles fotojornalistas que denunciam excessivo uso de força pelas autoridades. A polícia regional defendeu já a acção dos agentes considerando que actuaram segundo as normas. A Declaração de Bolonha, que resultou do denominado Processo de Bolonha, foi assinada pelos ministros da Educação de 29 países europeus, em Junho de 1999. O texto representa uma mudança significativa nas políticas do ensino superior dos países envolvidos, procurando estabelecer uma Área Europeia de Ensino Superior a partir de reformas nacionais dos vários sistemas de ensino. O Processo de Bolonha, que pretende avançar na unificação do sistema universitário europeu, tem sido alvo de protestos sucessivos em Espanha, com os alunos a considerar que representa um aumento das propinas e o "mercantilismo" do sistema educativo. "

in www.sic.pt
Por lá as coisas também não estão fáceis...

sábado, 21 de março de 2009

Um Ladrão no Algarve...

"Desta vez resolvi eu, foi tão bonito como o Liedson não foi?"

Pára tudo!


sexta-feira, 20 de março de 2009

O grupo parlamentar do PS propõe o nome do nosso mui querido, venerado, admirado e amado Professor Jorge Miranda, para o cargo vago de Provedor de Justiça da República Portuguesa, cargo o qual se encontra vago há já 8 meses, desde que terminou o mandato de Henrique Nascimento Rodrigues. O Profeesor dispôs-se a aceitar o cargo, mediante a um consenso de 2/3 dos Deputados da nação.

Assim, assiste-se à resolução de dois eminentes problemas:
  • o funcionamento regular de uma das mais importantes (e desprezada) instituições das Democracias modernas;

  • a facilitação da vida em inumeros aspectos, nomeadamento os que se prendem com a análise e sistematização da Constituição da República Islâmica do Irão, a alunos do 1º ano da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa.

quinta-feira, 19 de março de 2009

Já que por músicas num blog é (alegadamente) rabeta...

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Aqui havia um post temporário, e devido à sua natureza temporária, agora já não 'tá cá.
Foi-se, ardeu!
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quarta-feira, 18 de março de 2009

Meu bom FNL...


...como eu te dou razão! Toda a razão que conheço, toda e sem deixar nenhuma de parte!
Dou-te a razão, o bem mais precioso que tenho, porque não vejo mais a quem a dar, não vejo quem a mereça, e merecendo-a pege nela e a transforme em algo que valha a pena ouvir e reflectir. Dou-te razão porque aqueles a que eu a devia conceder, não têm dignidade para a ter e não têm sequer capacidade para a compreender.
No fundo dou-te razão porque concordo inteira e puramente contigo, sem reservas nem condições apenas porque sem margem para dúvida estás certo.
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Atravessamos hoje uma das mais tristes fases não só da comunicação mas sim da 'opinião' social. Uma fase sem a força bruta da censura ou o alheamento do alfabetismo, uma fase em que a ordem de batalha é o 'carneirismo' (por carneirismo entenda-se toda uma lógica de rebanho, que faz com que toda a gente se sinta na obrigação de seguir os mesmos pensamentos sem neles depositar um só segundo).
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Seja para que ponto cardeal nos viremos vemos sempre os mesmo 'parvos', 'parvos' esses que podem mudar de roupa, de nome, de cara e fisionomia, podem até mudar de 'cor', mas no fundo são sempre os mesmos 'parvos' sem apelo nem agravo, são no fundo os 'parvos' que queremos ouvir, porque pouco mais que eles conhecemos.
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Mas pergunto-me: são eles que moldam a sociedade, ou será a sociedade que os molda a eles? São eles que são triviais, fúteis, ou nós que não merecemos melhor? Sinceramente acho que esta é uma questão de equilibrio estabelecido entre 'nós' e 'eles'. 'Eles' apenas dão aquilo que lhes é pedido, tendo brio em que seja tão mau quanto 'nós' o somos, e 'nós' não somos mais que valentes asnos que apenas se preocupam em comer a todas as refeições doutrina já mastiga e casos práticos cuja solução já alguém a tem, pura e simplesmente porque não somos capazes de pensar, não somos capazes de ir sem ler primeiro em livros, tratados, teses e afins, como se faz e o que é, perdendo o que nos diferencia dos bichos, o raciocínio.
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Porém, ainda temos alguns, se bem que poucos e cada vez mais raros, 'filhos de aurélio' cuja preocupação é agitar a água, provar que nada é estático, e sobretudo, que ninguém é dono de uma razão absoluta, por mais consensual que ela seja. Assim a irreverência do espírito é a única arma que se tem contra todo um sistema que a visa relegar para segundo plano, tornala uma anomalia, uma falha da concepção que dizem ser a ideal, a melhor.

sexta-feira, 13 de março de 2009

Pays des rêves



Libertà

Tu sais qu'il y a un bateau qui mène au pays des rêves
Là-bas où il fait chaud, où le ciel n'a pas son pareil
Tu sais qu'au bout cette terre
Oh oui les gens sèment
Des milliers d'graines de joie où pousse ici la haine
On m'avait dit p'tit gars
Là-bas on t'enlève tes chaînes
On te donne une vie
Sans t'jeter dans l'arène
Comme ici tout petit après neuf mois à peine
On te plonge dans une vie où tu perds vite haleine
Alors sans hésiter
J'ai sauté dans la mer
Pour rejoindre ce vaisseau
Et voir enfin cette terre
Là-bas trop de lumière
J'ai dû fermer les yeux
Mais rien que les odeurs
Remplissaient tous mes vœux

I just wanna be free in this way
Just wanna be free in my world
Vivere per libertà
Vivere nella libertà

Alors une petite fille aussi belle que nature
Me pris par la main et m'dis suit cette aventure
On disait même, oh oui que la mer l'enviait
Que la montagne se courbait pour la laisser passer
Elle m'emmena au loin avec une douceur sans fin
Et ses bouclettes dorées dégageaient ce parfum
Qui depuis des années guidait ce chemin, ton chemin, mon chemin, le chemin


Pour arriver enfin à ces rêves d'enfants
Qui n'ont pas de limites comme on a maintenant
J'ai vu des dauphins nager dans un ciel de coton
Où des fleurs volaient caressant l'horizon
J'ai vu des arbres pousser remplaçant les gratte-ciel
J'ai vu au fond de l'eau une nuée d'hirondelles

Pep`s

quinta-feira, 12 de março de 2009

A reliquia de um momento...

quarta-feira, 11 de março de 2009

P'ra fazer saltar as pedras da calçada...



"Some folks are born made to wave the flag,
Ooh, theyre red, white and blue.
And when the band plays hail to the chief,
Ooh, they point the cannon at you, lord..."

P'ra fazer chorar as pedras da calçada....



"I'm not in love, so don't forget it.
It's just a silly phase I'm going through."

domingo, 8 de março de 2009

Mulher




Mulheres à beira-mar

Confundido os seus cabelos com os cabelos
do vento, têm o corpo feliz de ser tão seu e
tão denso em plena liberdade.

Lançam os braços pela praia fora e a brancura
dos seus pulsos penetra nas espumas.

Passam aves de asas agudas e a curva dos seus
olhos prolonga o interminável rastro no céu
branco.

Com a boca colada ao horizonte aspiram longa
mente a virgindade de um mundo que nasceu.

O extremo dos seus dedos toca o cimo de
delícia e vertigem onde o ar acaba e começa.

E aos seus ombros cola-se uma alga, feliz de
ser tão verde.

Sophia de Mello Breyner Andresen

sexta-feira, 6 de março de 2009

Desde que me cruzei com uma crónica de Eduardo do Prado Coelho, uma vez no Café di Roma dos armazéns do Chiado, pelas 10.45 de uma manhã de fim de Verão onde o Sol já não é castigador, e uma agradável brisa sopra do Tejo, que desenvolvi uma admiração e até uma certa inveja, diga-se em abono da verdade, pela sua escrita, apesar de uma vez por outra, não seguir a sua linha de raciocinio. E desde esse dia até ao da sua última crónica publicada fui um dedicado adquirente do jornal onde essa mesma crónica se achava.
Porém, hoje deparei-me com esta em particular. Já não me recordava dela, mas bastou ler-lhe o titúlo para que do mais profundo e negro recanto da minha mente a lembrança surgisse. Aqui fica ela:



'Pra chorar de vergonha

A crença geral anterior era de que Santana Lopes não servia, bem como Cavaco, Durão e Guterres. Agora dizemos que Sócrates não serve. E o que vier depois de Sócrates também não servirá para nada. Por isso começo a suspeitar que o problema não está no trapalhão que foi Santana Lopes ou na farsa que é o Sócrates. O problema está em nós. Nós como povo. Nós como matéria prima de um país. Porque pertenço a um país onde a ESPERTEZA é a moeda sempre valorizada, tanto ou mais do que o euro. Um país onde ficar rico da noite para o dia é uma virtude mais apreciada do que formar uma família baseada em valores e respeito aos demais.
Pertenço a um país onde, lamentavelmente, os jornais jamais poderão ser vendidos como em outros países, isto é, pondo umas caixas nos passeios onde se paga por um só jornal E SE TIRA UM SÓ JORNAL, DEIXANDO-SE OS DEMAIS ONDE ESTÃO. Pertenço ao país onde as EMPRESAS PRIVADAS são fornecedoras particulares dos seus empregados pouco honestos, que levam para casa, como se fosse correcto, folhas de papel, lápis, canetas, lips e tudo o que possa ser útil para os trabalhos de escola dos filhos ....e para eles mesmos. Pertenço a um país onde as pessoas se sentem espertas porque conseguiram comprar um descodificador falso da TV Cabo, onde se frauda a declaração de IRS para não pagar ou pagar menos impostos. Pertenço a um país: - Onde a falta de pontualidade é um hábito; - Onde os directores das empresas não valorizam o capital humano. - Onde há pouco interesse pela ecologia, onde as pessoas atiram lixo nas ruas e, depois, reclamam do governo por não limpar os esgotos. - Onde pessoas se queixam que a luz e a água são serviços caros. - Onde não existe a cultura pela leitura (onde os nossos jovens dizem que é 'muito chato ter que ler') e não há consciência nem memória política, histórica nem económica. - Onde os nossos políticos trabalham dois dias por semana para aprovar projectos e leis que só servem para caçar os pobres, arreliar a classe média e beneficiar alguns. Pertenço a um país onde as cartas de condução e as declarações médicas podem ser 'compradas', sem se fazer qualquer exame. - Um país onde uma pessoa de idade avançada, ou uma mulher com uma criança nos braços, ou um inválido, fica em pé no autocarro, enquanto a pessoa que está sentada finge que dorme para não lhe dar o lugar. - Um país no qual a prioridade de passagem é para o carro e não para o peão. - Um país onde fazemos muitas coisas erradas, mas estamos sempre a criticar os nossos governantes. Quanto mais analiso os defeitos de Santana Lopes e de Sócrates, melhor me sinto como pessoa, apesar de que ainda ontem corrompi um guarda de trânsito para não ser multado. Quanto mais digo o quanto o Cavaco é culpado, melhor sou eu como português, apesar de que ainda hoje pela manhã explorei um cliente que confiava em mim, o que me ajudou a pagar algumas dívidas. Não. Não. Não. Já basta. Como 'matéria prima' de um país, temos muitas coisas boas, mas falta muito para sermos os homens e as mulheres que o nosso país precisa. Esses defeitos, essa 'CHICO-ESPERTERTICE PORTUGUESA' congénita, essa desonestidade em pequena escala, que depois cresce e evolui até se converter em casos escandalosos na política, essa falta de qualidade humana, mais do que Santana, Guterres, Cavaco ou Sócrates, é que é real e honestamente má, porque todos eles são portugueses como nós, ELEITOS POR NÓS. Nascidos aqui, não noutra parte... Fico triste. Porque, ainda que Sócrates se fosse embora hoje, o próximo que o suceder terá que continuar a trabalhar com a mesma matéria prima defeituosa que, como povo, somos nós mesmos. E não poderá fazer nada... Não tenho nenhuma garantia de que alguém possa fazer melhor, mas enquanto alguém não sinalizar um caminho destinado a erradicar primeiro os vícios que temos como povo, ninguém servirá. Nem serviu Santana, nem serviu Guterres, não serviu Cavaco, nem serve Sócrates e nem servirá o que vier. Qual é a alternativa? Precisamos de mais um ditador, para que nos faça cumprir a lei com a força e por meio do terror? Aqui faz falta outra coisa. E enquanto essa 'outra coisa' não comece a surgir de baixo para cima, ou de cima para baixo, ou do centro para os lados, ou como queiram, seguiremos igualmente condenados, igualmente estancados....igualmente abusados! É muito bom ser português. Mas quando essa portugalidade autóctone começa a ser um empecilho às nossas possibilidades de desenvolvimento como Nação, então tudo muda... Não esperemos acender uma vela a todos os santos, a ver se nos mandam um messias. Nós temos que mudar. Um novo governante com os mesmos portugueses nada poderá fazer. Está muito claro... Somos nós que temos que mudar. Sim, creio que isto encaixa muito bem em tudo o que anda a acontecer-nos: Desculpamos a mediocridade de programas de televisão nefastos e, francamente, somos tolerantes com o fracasso. É a indústria da desculpa e da estupidez. Agora, depois desta mensagem, francamente, decidi procurar o responsável, não para o castigar, mas para lhe exigir (sim, exigir) que melhore o seu comportamento e que não se faça de mouco, de desentendido. Sim, decidi procurar o responsável e ESTOU SEGURO DE QUE O ENCONTRAREI QUANDO ME OLHAR NO ESPELHO. AÍ ESTÁ. NÃO PRECISO PROCURÁ-LO NOUTRO LADO. E você, o que pensa?'


Eduardo do Prado Coelho,
in Público

quinta-feira, 5 de março de 2009

Dedicado à Sra. Azevedo II

Parabéns! Parabéns! Parabéns!
Desejo que este seja para ti um dia muito feliz, com muitos miminhos e prendinhas, junto daqueles que mais amas ( visto estares longe de casa somos nós, os amigo, claro) e que possamos ainda festejar juntas por muitos, alegres e bons anos.
Aqui fica um beijinho do tamanho do mundo, desta amiga que agradece sempre ter te por perto.

Segue o teu destino

Segue o teu destino,
Rega as tuas plantas,
Ama as tuas rosas.
O resto é a sombra
De árvores alheias.

A realidade
Sempre é mais ou menos
Do que nós queremos.
Só nós somos sempre
Iguais a nós-próprios.

Suave é viver só.
Grande e nobre é sempre
Viver simplesmente.
Deixa a dor nas aras
Como ex-voto aos deuses.

Vê de longe a vida.
Nunca a interrogues.
Ela nada pode
Dizer-te. A resposta
Está além dos deuses.

Mas serenamente
Imita o Olimpo
No teu coração.
Os deuses são deuses
Porque não se pensam.

Ricardo Reis

Dedicado à Sra. Azevedo.

segunda-feira, 2 de março de 2009

sábado, 28 de fevereiro de 2009

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Momento Zen


"Give a kiss and I'll show you the World"

Amy, aquela coisa<

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Use Somebody!

Fezada 1

Sócrates vai ser ouvido, considerado arguido e não chega a Maio.

domingo, 15 de fevereiro de 2009

Que música escutas tão atentamente

Que música escutas tão atentamente
que não dás por mim?
Que bosque, ou rio, ou mar?
Ou é dentro de ti
que tudo canta ainda?
Queria falar contigo,
dizer-te apenas que estou aqui,
mas tenho medo,
medo que toda a música cesse
e tu não possas mais olhar as rosas.
Medo de quebrar o fio
com que teces os dias sem memória.
Com que palavras
ou beijos ou lágrimas
se acordam os mortos sem os ferir,
sem os trazer a esta espuma negra
onde corpos e corpos se repetem,
parcimoniosamente, no meio de sombras?
Deixa-te estar assim,
ó cheia de doçura,
sentada, olhando as rosas,
e tão alheia
que nem dás por mim.



Eugénio de Andrade
(Coração do dia)

E Viva a Liberdade



Será mesmo assim hoje em dia?

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Macacos

Se fosse vivo, Charles Darwin faria hoje 200 anos, o que, convenhamos não seria lá muito bom para a saúde. Faz hoje também 150 anos a publicação do livro: "On the Origin of Species by Means of Natural Selection, or the Preservation of Favoured Races in the Struggle for Life".
Com este livro, Darwin vem tirar a criação do Homem das mãos de deus, enquanto a deposita no seu devido lugar: o acaso associado à fortaleza das espécies. Hoje, porém, fala-se antes em "Intelligent Design", um daqueles conceitos US Made, que traduz uma ideia que de novo nada tem. Intelligent Design, no fundo e de forma muito simplista, exprime que certas características do universo e dos seres vivos, as quais são melhor explicadas por uma causa inteligente, e não por um processo não-direcionado como a seleção natural, ou seja, deus quis que assim fosse e tudo o que conhecemos é-o assim por sua vontade.
Este argumento dá uma incrível supermacia a todos os criacionistas, porque, puramente não se pode provar que deus não existe e que as coisas não são obra da sua mão. Mas faça-se então a contra-pergunta: poder-se-à provar que deus existe? Provas que não deixem qualquer tipo de dúvida?
Não sei...
Por este post apenas venho dizer, que qualquer discussão racional sobre deus, é uma discussão condenada à partida. Não se pode discutir coisas que não se ligam, porque a ordem de argumentos é totalmente contrária. A prova racional vs. a fé incondicional (mesmo a fé inteligente, que também existe), e a fé é sempre an argument killer, porque a crença só pode ser aceite ou renegada de livre e espontânea vontade, nunca imposta.
Assim, apenas quero salientar que qualquer que seja a teoria seguida, ambas são totalmente legítimas, pois ambas falam de coisas totalmente diferentes. Enquanto o criacionismo é do domínio do sagrado, a evolução das espécies é do domíninio da ciência.

Lenny Krevitz

"Depois do triunfo o ano passado no palco do Rock In Rio, onde encerrou o primeiro dia, Lenny Kravitz regressa a Portugal, desta vez em nome próprio.
O músico norte-americano, cujo primeiro álbum data de 1989, estará no próximo dia 5 de Maio em Portugal para uma actuação única no Pavilhão Atlântico.
A digressão LLR 20(09)celebra precisamente as duas décadas sobre o lançamento de "Let Love Rule", o álbum debutante. A editora de Lenny Kravitz também se junta à efeméride e prepara uma edição de luxo com uma versão remasterizada e vários conteúdos extra com lançamento previsto para dia 20 de Abril.
Os bilhetes já se encontram à venda nos locais habituais e custam entre 30 e 40 euros."

in sapo

Acabei de saber desta boa notícia, e logo a seguir tive um choque com o preço dos bilhetes! Dá para acreditar? Entre 30 e 40 euros, como é possível?
Estamos a atravessar uma crise económica, desemprego e dívidas por todos os lados, e mesmo assim ainda se lembram de cobrar 40€ por um bilhete para assistir a um concerto de 2 horas!
Todavia, estive o ano passado no Rock in Rio e foi espetacular, Lenny Krevitz ao vivo é uma agradável suspresa.

Um Perigo Real...

E se um dia um cometa colidir com a Terra? Clica.

Vários filmes retratam esse problema e é sempre algo que julgamos que nunca acontecerá.

Rage!

Rai's partam o pessoal deste blog! Cambada de amorfos pá! Com exceção (rai's partam o acordo ortográfico, que não me deixa escrever excepção!) do mui douto FNL e da mui excelente Cat Salvaterra, ninguém cá vem escrever nada ou tentar dar a isto algum sentido.
Vá lá, provem (myself included) que não são um desperdício de personalidade jurídica, e tratem de existir na blogoesfera (rai's partam a palavra blogoesfera, que não há outra mais feia nos dicionários cá do burgo!)

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

L'allegoria della signorina Eluana Englaro

Kuolema. موت. A Halál. Der Tod. 死亡. Death. Ölüm. La Mort. 死.
É este o nome da morte. Um esqueleto com uma gadanha, uma parada negra, uma linda mulher de carnudos lábios vermelhos. É este o aspecto da morte.
Pelo menos é o que se diz.
Será justo chamá-la a nós, quando ela se recusa a vir?
Como toda a gente sabe, Eluana Englaro morreu. Honestamente pouco me importa o caso pessoal de Eluana, porém, importa-me, e bastante, o caso da morte médicamente assistida. Será de admitir esta prática, com todas as questões que levanta?
Por razões de Direito stricto sensu não é possivel concordar. Para quem não tiver vida (vida.lol), e quiser conhecer das razões de Direito, é favor consultar os maravilhosos tomos do Tratado de Direito Civil Português do Professor Menezes Cordeiro. É totalmente inadmissivél que se tire a vida a um Ser Humano, pois isso constituiria um crime, um homicidio que deve sempre ser combatido, pois para além das inumeras normas legais que se quebrariam, estar-se-ia a violar o mais precioso bem do Homem.
No entanto, há vida (vida.lol) para além da douta Juris Scientia.
Deixemos Eluana no sitio onde pertençe, e imaginemos alguém, na plenitude das suas capacidades cognitivas, mas que por alguma razão não tem capacidades motoras. Imaginemos também que essa pessoa nem sempre foi assim, que trabalhava, que tinha uma familia e que se valia por si próprio. Será então assim tão descabido que ela anseie pela sua morte? Será assim tão descabido que alguém o ajude a morrer? Será que a vida é sempre um bem superior, ou esta deve estar à disposição do seu dono (e aqui, dono de facto!).
Em Roma, ao Homem era-lhe reconhecido o Direito a morrer às suas próprias mãos, quando assim o achasse conveniente. No Japão feudal muitas vezes se cometia o suicidio ritual quando se caía em desgraça. Sócrates (o da filosofia), bebeu por sua mão a cicuta que o matou, totalmente consciento dos efeitos.
Desde sempre que o suicidio é visto em certos casos como um fim honrado daquele que o comete.
Assim, não será mais Humano ajudar a que seja feita a vontade daquele, do que mantê-lo vivo?
Não sei. Palavra de honra que não sei. Nem sequer sei se estando eu nessa situação manteria este pensamento.
Longe de mim fazer a apologia do suicidio! Nunca será esse o meu fito, em tempo ou situação alguma. Apenas digo o que para mim é uma verdade absoluta: custa-me muito mais saber que alguém está vivo numa vida que não o é, do que saber que esse alguém encontrou a paz perpétua (onde não se paga contas, e onde não se tem de estudar p'rós exames!).

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Pienso en tí

Cada día pienso en tí
pienso un poco mas en tí
despedazo mi corazón
se destruye algo de mí.

Cada día pienso en tí
pienso un poco mas en tí.

Cada vez que sale el sol
busco en algo el valor
para continuar así
y te veo así y no te toque
rezo por ti cada noche
amanece y pienso en ti
y retumban en mis oídos
el tic-tac de los relojes
y sigo pensando en ti
y sigo pensando...

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Abuso de posição dominante

A Comissão Europeia difundiu novas orientações para os caminhos do Direito da Concorrência e do combate ao abuso de posição dominante.
Em documento divulgado em Dezembro (aguarda-se ainda pela publicação oficial) a Comissão Europeia difundiu novas orientações para os caminhos do Direito da Concorrência e do combate ao abuso de posição dominante. No centro das suas reanimadas preocupações - o consumidor.
Através destas orientações, a comissão procura tornar a sua intervenção cada vez mais efectiva e transparente contra as empresas que pretendam crescer à custa da eliminação de concorrentes, limitando as opções do consumidor e desmotivando a inovação.
Desde 2005 que a Direcção-Geral da Concorrência recolhia os frutos de uma discussão pública, entusiasticamente participada, em torno do artigo 82.º do Tratado da UE. O extenso e incisivo documento de trabalho inicial deu agora lugar a uma versão mais reduzida e menos polémica, tendo-se optado por excluir, entre outras matérias, uma definição fechada de abuso de posição dominante e de conduta excludente. Mais do que a imposição de normas inicialmente prevista, optou-se finalmente apenas por definir prioridades de actuação.
O conceito de abuso de posição dominante e das condutas tendentes à exclusão de concorrentes foi sendo trabalhado nesses debates dos últimos três anos e também no âmbito de processos com repercussão mediática, como os casos Wanadoo, Microsoft e Telefónica.
Geralmente, o abuso de posição dominante concretiza-se através de condutas que tomam diferentes formas - cláusulas de exclusividade, descontos, ‘tying' e ‘bundling', preços predatórios, recusa de fornecimento e ‘margin squeeze'. Estas técnicas anti-concorrenciais, ponderadas neste documento, substanciam uma política de exclusão de concorrentes. Através das orientações, a Comissão dá a conhecer os quadros do pensamento analítico que utiliza para detectar e punir essas condutas.
O texto da Comissão começa por identificar a presença dominante de uma empresa. O domínio nasce de uma combinação dinâmica de factores - o mercado, a sua evolução, os concorrentes actuais e potenciais, fornecedores e clientes - todos ponderados na equação do domínio.
A Comissão entende que o critério da quota de mercado é um bom indicador de base para a existência de domínio (naturalmente, através de uma análise activa e casuística dessa quota naquele mercado). E refere, de acordo com a sua experiência, que com uma quota de mercado abaixo dos 40% não é provável esse domínio, da mesma forma que acima dessa quota e por um período prolongado existirão já indícios preliminares de uma posição dominante. A Comissão considera ainda como outro indício de posição dominante a capacidade isolada de uma empresa em manter os preços elevados, acima do preço competitivo, durante um período de tempo significativo, imune à pressão do mercado e de concorrentes.
Identificado o domínio, a Comissão frisa que o teste central reside em saber se o concorrente excluído era um verdadeiro concorrente - isto é, se em abstracto, seria, no mercado, tão apto e eficaz como a empresa dominante. O mercado só é prejudicado se a conduta do dominante impedir o acesso ou a expansão de um concorrente tão eficiente como ele, e que, sobretudo através da sua política de preços e de inovação, traria benefícios ao consumidor.
Há, evidentemente, motivações de eficiência que a empresa dominante pode invocar e que poderão justificar a sua conduta. A empresa em causa terá de justificar perante a Comissão que a conduta não prejudica os consumidores; que os benefícios - de melhoria técnica e/ou de redução de custos de produção ou distribuição - superam largamente os alegados efeitos anti-concorrenciais; e que a conduta é proporcional ao fim visado e é o único meio de atingir tais benefícios.
Em suma, destas novas orientações resulta que o princípio não é o da ilegalidade do domínio mas do domínio sem mérito. Com a posição de domínio nasce uma responsabilidade acrescida perante o mercado e os consumidores - ‘survival of the fittest.... but also of the fairest'!

Ana Rita Gomes de Andrade
in Diário Económico

domingo, 1 de fevereiro de 2009

What?

Hugo Chávez quer governar até 2049.

Quem o consegue parar?

The Freeport affair...

Já que todo o homem-bom opina...
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"J'ACCUSE

Há 111 anos, a 13 de Janeiro de 1898, foi publicada a mais grandiosa peça jornalística de todos os tempos. Escrita como carta aberta ao presidente de França, é um apelo indignado em nome de um inocente injustamente condenado, libelo contra um sistema judicial corrupto e uma opinião pública contaminada pela manipulação da verdade e pelos seus preconceitos (o condenado era judeu) através de uma campanha mediática "abominável". Num estilo que cruza o jornalismo e o manifesto, descreve a forma como um homem foi desonrado, julgado e condenado a prisão perpétua com base em provas falsas que, sendo consideradas "secretas", nem sequer lhe foram reveladas, e demonstra como o verdadeiro culpado foi absolvido por juízes cientes da sua culpa. Tem como título J'accuse...! (Eu acuso...!), e é uma defesa empolgada e empolgante da verdade e da justiça.O seu autor, Émile Zola, sabia ao escrever o risco que corria - aliás, escreveu jogando nesse risco, o de ser acusado de desrespeito e difamação e de poder fazer do seu julgamento a demonstração do que afirmava. Conseguiu o que queria: virar a França a favor do inocente condenado (Dreyfus) - mesmo se à custa de reacções violentas contra ele e contra Dreyfus, incluindo motins anti-judaicos - e reabrir o respectivo processo, mas também ser julgado, três escassas semanas após a publicação do artigo. Foi condenado à pena máxima no caso, um ano de cadeia, a que escapou fugindo para o estrangeiro.Zola voltaria a França para assistir à reabertura do processo Dreyfus, no qual este foi, incrivelmente, condenado de novo. Seria no entanto "perdoado" e acabaria ilibado em 1906, reintegrado e promovido no exército que o expulsara. Zola, arruinado pela defesa de Dreyfus, tinha morrido há quatro anos, sem ver satisfeita a sua exigência de justiça. Na verdade, a justiça nunca foi realmente feita: ninguém - nem os oficiais do exército que cozinharam a sua "culpa", nem os juízes e procuradores que o condenaram sonegando-lhe as provas, nem aqueles que a propagaram sem se esforçarem por conhecer a verdade - foi julgado pelo martírio de Dreyfus. As forças contra as quais Zola se ergueu, "fraco e desarmado" (como disse Anatole France no seu elogio fúnebre), nunca foram derrotadas - apenas o necessário para, naquele caso, lavarem a face, revendo a decisão que condenara um inocente. Fraco consolo.O caso Dreyfus, como muitos outros antes e depois dele, mostra o ladro negro do poder do sistema judicial. Quando um sistema criado para certificar a procura e o triunfo da verdade despreza a verdade e funciona como se estivesse acima das leis por cujo cumprimento lhe cumpre zelar, instrumentalizando o extraordinário poder que lhe é conferido, não há Estado de Direito. Sem Estado de Direito, não há grande chance para a democracia, até porque não há para aí Zolas aos pontapés. O que há aos pontapés é gente que, quiçá imaginando-se da estirpe do autor de J'accuse, se compraz em funcionar como guarda avançada dessa instrumentalização da verdade. "O meu dever é falar, não quero ser cúmplice", escreveu Zola. É sempre boa altura para lhe honrar o repto. "


Fernanda Câncio,
in Diário de Notícias, 30/1/2009
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O mais engraçado é que no dia em que isto saiu, eu me tinha lembrado de 'tentar' fazer uma coisa parecida. Assim sendo, poupa-se o trabalho e o escrito aqui fica para se ver que "nem todos os pombos que vão ao milho, sabem, distinguir entre milho bom e um sucedâneo meio inglês meio oposicionês".

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

:) :(

Ténis

Tinha de vir comentar a grande semi-final do Open da Austrália que hoje se realizou: Nadal/Verdasco!
Foi impressionante a capacidade de resistência física dos dois jogadores, que depois de mais de cinco horas de jogo ainda demonstravam uma grande qualidade técnica, com jogadas de cortar a respiração...
Verdasco bateu-se muito bem, quando tudo apontava para uma vitória mais ou menos tranquila de Nadal, a coragem e determinação foram grandes e acabou mal na fotografia, quando o match point, ao quinto set, se dá com uma dupla falta (já vinha fazendo algumas durante todo o encontro), conseguindo ainda anular dois match points imediatamente anteriores...
Confesso que estava a torcer pelo madrileno, e que quero ver novamente Federer como vencedor, mas tenho de admitir que Nadal é um grande jogador de ténis, e que a final, no domingo, vai ser um jogo a não perder.
Nas senhoras, como não poderia deixar de ser, as minhas expectativas estão com Safina, a Serena já ganhou o torneio de pares com a irmã, não precisa de mais títulos...
Se Safina ganhar chega ao nº1 do ranking, e é sempre preferível uma jogadora europeia.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Mais um adeus

Mais um adeus
Uma separação
Outra vez, solidão
Outra vez, sofrimento
Mais um adeus
Que não pode esperar

O amor é uma agonia
Vem de noite, vai de dia
É uma alegria
E de repente
Uma vontade de chorar

Olha, benzinho, cuidado
Com o seu resfriado
Não pegue sereno
Não tome gelado
O gim é um veneno
Cuidado, benzinho
Não beba demais
Se guarde para mim
Tua ausência é um sofrimento
E se tiver um momento
Me escreva um carinho
E mande o dinheiro
Pro apartamento
Porque o vencimento
Não é como eu:
Não pode esperar

O amor é uma agonia
Vem de noite, vai de dia
É uma alegria
E de repente
Uma vontade de chorar

Vinicius de Moraes

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Fascinação

Os sonhos mais lindos sonhei
De quimeras mil um castelo ergui
E no teu olhar
Tonto de emoção
Com sofreguidão
Mil venturas previ
O teu corpo é luz, sedução
Poema divino cheio de esplendor
Teu sorriso prende, inebria, entontece
És fascinação, amor

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

"Quanto tempo? Não muito"

Aqui fica este excerto de um discurso de Martin Luther King, encontrei por acaso e vi que definia, sem margem para dúvidas, o sentimento de tantos americanos negros, no dia de ontem.

"Toda a nossa campanha no Alabama se centrou em torno do direito de voto. Hoje, com esta nossa chamada da atenção do país e do mundo para a flagrante sonegação do direito de voto, estamos a expor a verdadeira origem, a causa da segregação racial que existe no Sul.
Foi a ameaçã ao livre exercício do direito de voto Negro pelas massas populares brancas que deu origem à instauração de uma sociedade segregada. Os segregacionistas do Sul segregaram dos Brancos pobres o dinheiro; segregaram da Cristandade as igrejas do Sul; segregaram da recta maneira de pensar os espíritos do Sul; e segregaram de tudo o Negro.
Já percorremos um logo caminho desde que foi perpretado contra o espírito americano aquele simulacro de justiça. Hoje quero dizer à cidade de Selma, hoje quero dizer ao Estado do Alabama, hoje quero dizer ao povo da américa e a todas as nações do mundo: Nós não vamos voltar atrás. Nós agora estamos em marcha. sim, estamos em marcha e não há onda de racismo que nos detenha.
(...)
Marchemos contra a segregação na habitação até que tenha desaparecido o último gueto de depressão social e económica e Negros e Brancos vivam lado a lado em casas decentes, seguras e salubres.
Marchemos contra as escolas segregadas até que o último vestígio de educação segregada e inferior seja coisa do passado e Negros e Brancos vivam lado a lado no ambiente socialmente reparador da sala de aula.
(...)
Marchemos contra as urnas de voto, marchemos contra as urnas de voto até que os demagogos racistas desapareçam da cena política. Marchemos contra as urnas de voto até que os Wallaces do nosso país tremam e desapareçam em silêncio.
(...)
Marchemos contra as urnas de voto até que em todo o Alabama os filhos de Deus possam pisar o chão com decência e honra.
Tenho de reconhecer perante vós que ainda há celas de prisão à nossa espera, momentos negros e difíceis. Vamos prosseguir na convicção de que foi a força da não-violência que transformou os tenebrosos dias passados em radiosos dias futuros. Nós vamos ser capazes de vencer todas as adversidades.
(...)
Eu sei que vós hoje perguntais "Quanto tempo falta?" Esta tarde venho dizer-vos que, apesar de vivermos um momento difícil, uma hora frustante, já não falta muito tempo, porque a verdade espezinhada vai volta a erguer-se."

Março de 1965
Faltavam quarenta e quatro anos.

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

A Historic day parte 4


O discurso não foi nada do outro mundo. O evento tem aquele toque americano que todos gostávamos de viver. Como orador Obama será dos melhores políticos que já vi, hoje provou-se que consegue cativar massas como outros politicos sonantes já fizeram. "É uma máquina!"
Mas surge-me sempre uma dúvida: "chegou cheio de boas intenções, grandes ideias, trouxe um ar novo para a politica mundial que se encontra desacreditada, trouxe sem dúvida uma nova esperança nas promessas politicas, mas conseguirá ele não se deixar corromper por toda a máquina histórica que se encontra por trás dele? "

A Historic Day parte 3

Ver na tomada de posse de um presidente dos Estados Unidos da América, um Democrata a jurar sobre a Bíblia de Lincoln foi, de facto, histórico....
Sinto-me tão inspirado que vou 'cantar' uma canção:

"Obama, ó que lind'Obama,
Obama da obameira..."

A Historic Day parte 2




"Ainda somos uma nação jovem, mas, nas palavras das Escrituras, chegou a hora de deixar de lado as coisas infantis. Chegou a hora de reafirmar nosso espírito resistente; de optar pela nossa melhor história; de levar adiante esse dom precioso, essa nobre ideia, passada de geração em geração: a promessa divina de que todos são livres, todos são iguais e todos merecem a chance de lutar por sua medida justa de felicidade."

Um discurso de esperança sem dúvida..

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Tomorrow is a Historic day!



Can he change the world?

Tomorrow is the first day to know.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Intervalo

Acabei a semana passada de ler o último livro do José Saramago, A viagem do elefante, e já que hoje posso dedicar alguns minutos da minha atenção aqui ao nosso blog, resolvi deixar um pequeno comentário.
O livro trata a viagem de um elefante, vindo da Índia portuguesa, de Lisboa até Viena, como prenda de D. João III ao arquiduque Maximiliano da Áustria. É um texto eleborado, como é costume neste autor, embora a história em si não tenha grandes segredos ou mistérios, a mim permitiu-me relaxar e por momentos deixar de pensar nos exames e na faculdade. É quase uma narrativa light, sem ofensa ao Saramago, que ainda assim não afasta as suas ironias e críticas em entrelinhas, quer à sociedade da época, quer à actual.
Confesso que não sou propriamente especialista na obra literária do José Saramago, nem tão pouco adepta de muitas das suas ideias políticas, mas não posso deixar de sorrir ao ler muitas das passagens deste livro, ao descobrir como ele consegue dizer as coisas, sempre de maneira que parece à primeira vista tão inocente e simples, mas que bem lido têm quase sempre um segundo significado. Já para não falar naquelas descrições bizarras e divertidas, que também estavam no Memorial do Convento, e que sempre me levaram a pensar onde é que ele vai buscar imaginação suficiente para escrever uma coisa daquelas, caricaturando muitas das personagens com traços de personalidade tão inesperados e ridículos... Atendendo até que parte do livro foi escrito em condições de saúde frágeis, o seu bom humor e disposição são admiráveis.
Leiam porque vale a pena: é uma forma de viajar sem saír de casa... Porque um bom livro é como um bálsamo para o espírito, ainda mais numa época tão exigente como esta, a mim nunca os livros me deixaram estar verdadeiramente só, e por vezes são a melhor companhia que posso ter...
Acabo recomendando a todos A viagem do elefante e com a frase que está na contracapa, e que eu espero ser acertada: " Sempre chegamos ao sítio aonde nos esperam", in O Livro dos Itinerários.

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

ÉPOCA DE EXAMES!!!



Hum, isto faz-me lembrar algo!!!
Bem, dado a actividade existente neste blog, estou a ver que estamos fechados para balanço..

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

A minha fase músical....

Ando a colocar músicas a mais, mas neste momento é a única coisa que me inspira...



Mad World: Gary Jules

All around me are familiar faces
Worn out places
Worn out faces
Bright and early for the daily races
Going no where
Going no where
Their tears are filling up their glasses
No expression
No expression
Hide my head I wanna drown my sorrow
No tomorrow
No tomorrow
And I find it kind of funny
I find it kind of sad
The dreams in which I’m dying are the best I’ve ever had
I find it hard to tell you
I find it hard to take
When people run in circles its a very very
Mad world
Mad world

Children waiting for the day they feel good
Happy birthday
Happy birthday
And I feel the way that every child should
Sit and listen
Sit and listen
Went to school and I was very nervous
No one knew me
No one knew me
Hello teacher tell me what’s my lesson
Look right through me
Look right through me
And I find it kind of funny
I find it kind of sad
The dreams in which I’m dying are the best I’ve ever had
I find it hard to tell you
I find it hard to take
When people run in circles its a very very
Mad world
Mad world
Enlarging your world
Mad world

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Continuação...

How can I decide what's right?
When you're clouding up my mind
I can't win your losing fight all the time
Not gonna ever own what's mine
When you're always taking sides
You wont take away my pride
No not this time
Not this time

How did we get here?
Well, I used to know you so well
How did we get here?
Well, I think I know

The truth is hiding in your eyes
And its hanging on your tongue
Just boiling in my blood,
But you think that I can't see
What kind of man that you are
If you're a man at all
Well, I will figure this one out on my own

(I'm screaming "I love you so"
But my thoughts you can't decode)

How did we get here?
Well, I used to know you so well
How did we get here?
Well, I think I know

Do you see what we've done?
We're gonna make such fools of ourselves
Do you see what we've done?
We're gonna make such fools of ourselves

How did we get here?
Well, I used to know you so well (Yeah, Yeah)
How did we get here?
Well, I used to know you so well
I think I know
I think I know
There is something I see in you
It might kill me
I want it to be true

PARAMORE:Decode

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Ano novo

Olá pessoal! Sim, eu sei, tenho andado desaparecida, mas vocês sabem, são as férias, o natal, depois o ano novo (isto de apenas uma semana entre dois acontecimentos tão preenchidos e absorventes está mal feito), e uma pessoa nem tem tempo para respirar... depois aquelas coisas chamadas exames que não saiem do nosso subconsciente (só mesmo do subconsciente, porque no meu consciente elas estiveram por pouco tempo, confesso), e o meu dia a dia fica virado do avesso. Agora mesmo deveria era estar a estudar, que amanhã é dia de teste, mas já não suporto mais os livros e eles não me suportam mais a mim, logo resolvemos todos fazer um intervalo uns dos outros e o meu sentimento de culpa já estava a aumentar, agora sim bem presente no meu consciente, que eu de vocês nunca me esqueço, e tinha de vir cá falar-vos.
Era suposto ser a primeira coisa a dizer, mas neste início de 2009 estou com um profundo gosto pela escrita e as palavras fogem-me (já devem ter reparado), no entanto cá ficam os meus votos de feliz ano novo, eu sei que um pouco atrasados, mas o que conta é a intenção, então são sinceros. Espero que nos possamos encontrar aqui por muitos e bons dias , com episódios felizes e sorridentes para contar.

PS(sem qualquer conotação política): Já agora, este fime de semana fui ao cinema(ok, fui ao cinema mas antes estudei afincadamente durante horas, e poderia ter vindo aqui ao blog, só que a preguiça foi maior que a vontade de escrever algo, não de vos falar, como é óbvio), (eu hoje estou eléctrica eu sei! e a falar sozinha umas quantas vezes tb?), ver o AUSTRÁLIA, o novo film com a Nicole Kidma e o Hugh Jackman e adorei... uma história fantástica, de pôr qualquer um a chorar (aquela cena linda de olhar para a pessoa que está sentada ao nosso lado no cinema de lenço na mão a enxogar as lágrimas...). Vão ver, para esquecer por umas horas os estudos e os exames.

PS2(sem qualquer conotação política outra vez, apesar de ser hoje que o PM dá a entrevista na SIC, não se esqueçam de ver!): não acham que este texto que eu acabei de escrever tem parênteses a mais? ( não respondam!)Foi a primeira vez que tal me aconteceu... (a passagem de ano fez-me mal, sim, foi isso)

quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Paramore: Decode



Desculpem a falta de tempo...

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

A meu ver...

1-Figura Nacional: Nélson Évora (é obvio.)

Figura Internacional: Barack Obama (o que mais dizer sobre o efeito Obama?)

2-Acontecimento Nacional: Guerra Legislativa entre o Sócrates e Cavaco.

Acontecimento Internacional: Presidenciais Norte-Americanas, Vitória Espanhola no Euro e Surpreendente organização dos Jogos Olimpicos pela China.

3- A palhaçada Federação Portuguesa de Futebol.

domingo, 28 de dezembro de 2008

Toma lá FNL...

1 -
1.1) Figura Nacional: Luís Amado, que ano após ano, credibiliza a diplomacia portuguesa (muito tristonha e cinzenta no precedente), a qual dá mostras de uma vitalidade desconhecida até mesmo dos seus colegas de partido. Provávelmente o melhor ministro do Governo.

1.2) Figura Internacional: Albert II, Rei dos belgas, porque tem demonstrado a cepa da qual são feitos os grandes monarcas. Lembro apenas que ele tem 'governado' um país que ameaça a divisão entre o Norte flamengo (como o queijo) e o Sul Francófono, sempre com a existência de governos instáveis e de coligação.


2 -
2.1) Acontecimento Nacional: Vigílias, abaixos-assinado, greves e afins na educação portuguesa, que nada mais faz que demonstrar a falta da mesma, na sociedade actual. Tenho pena que a discussão não dê mais vezes lugar a conversa, ao bom estilo de Bernardino Machado

2.2) Acontecimento Internacional: A saída de cena d'El Comandante Fidel Castro (ao fim d'uma porrada de anos... praí uns 49) e a subida do 'mano' Raúl Castro, a fazer lembra uma certa primavera ocorrida nesta bela nação à biera-mar plantada.

3 -
3.1) A modesta participação de Portugal nos J.O., que da mais fabulástica expidição a Oriente desde Afonso de Albuquerque, assim se previa, se saldou na mais borrega figura perpetrada pelo Comandante (até me dói dizer que este tipo comanda gentes) Vicente Moura, mais fazendo lembrar um rato de porão, a fugindo navio, assim este se encontrasse em dificuldades.

3.2) O Marx deve ter dado pulos de contente na tumba, assim que se apercebeu do estado da economia do capital selvagem, fernético e , diga-se em abono da verdade, vigarista a que chegou o "american way of making money".

domingo, 21 de dezembro de 2008

Parece que chegou a época do Natal



O que todos queremos nesta época? família, alegria, paz, muito amor, prendinhas e prendinhas (va consumir também faz bem de vez em quando), amigos, o quentinho de uma lareira e todas outras coisas boas que nesta época parece que transparece nas pessoas...

Parece que o pessoal destas paragens está de "férias" (se é o que se pode chamar ao periodo que por acaso coincide com as festas e que não apetece fazer nada, mas que por causa daqueles exames que nos dão cabo da cabeça, a tranquilidade não é a mesma.) Sem stress como diria um colega meu bonaefidense. Bem prometo que vou tentar.

P.S: Parabéns pela tua prestação caro FNL :P

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Já agora para o teste de contratos...






(amanhã escrevo aqui qualquer cosa, e paro com as músicas da treta.)

domingo, 14 de dezembro de 2008

Só porque já não "posto" há imenso tempo...

Fool's Garden - Lemon Tree


sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Para complementar o dia de hoje...

Quem matou o Dr. Neves, catedrático da Faculdade de Direito?



Já que não houve dança Irlandesa, e o teste de Penal foi o que foi, aqui vai um Quid Iuris.

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Desvarios socialistas

Esta última semana foi fértil em alguns, dos já conhecidos, desatinos socialistas. Destaco três.
Em primeiro, não podia deixar de comentar as teses apresentadas no congresso do PCP, em que, Laos, China, Coreia do Norte, Cuba e Vietname são apresentados como países modelos para os comunistas. Convém fazer uma breve resenha histórica sobre estes cinco países. O Laos é um pais muito pobre, que vive essencialmente á base da agricultura. A democracia não existe, havendo um regime de partido único (o partido comunista). Mesmo assim, desde 1986, tem vindo a abrir a economia, para promover a economia privada (estes horrores capitalistas), e têm vindo a ter melhorias. A china, apesar do abandono do socialismo de mercado, continua a ter partido único e os direitos humanos a serem constantemente atropelados. A Coreia do Norte é o pior caso, pois é o único que continua com a economia totalmente fechada, há atropelos constantes aos direitos humanos e o país tem de receber constantemente ajuda alimentar da ONU, para a população não morrer á fome. Cuba continua a não ter melhorias ao nível dos direitos humanos, tendo um grande problema com presos políticos, a democracia é inexistente, mas desde a entrada de Raul Castro a economia tem vindo a recuperar (lá está, com maior abertura virada para a iniciativa privada). Por último, Vietname, apesar de melhorias devido á abertura da economia, continua sem democracia e muita gente continua no limiar da pobreza. Conclusão: todos estes países são ditaduras, têm muito pobreza, e muitos deles, para aliviar a miséria das suas populações, abdicaram de um dos bastiões do comunismo, a economia central planificada. Isto demonstra um PCP cada vez mais fechado sobre si mesmo, que nunca podia deter o poder.
Em segundo lugar, temos mais uma vez Chavéz, a tentar ficar no poder indefinidamente. No seu discurso de comemoração de 10 anos no poder, Chavéz anunciou que quer mudar a constituição, para poder ser reeleito indefinidamente. Já se adivinhava isto, depois da derrota no referendo.
Por último, temos a China a dizer que França “vai pagar” por Sarkozy se ter encontrado com o líder espiritual Dalai Lama. A China já devia ter percebido que a União Europeia não cede a chantagens e aprender um pouco com a tolerância que o líder espiritual tibetano tem para com um país que os massacra.
Enfim, continuamos assistir às aventuras dos socialistas…Assim não há moral que os valha.

domingo, 7 de dezembro de 2008

Fim de semana comercialmente festivaleiro



Está mesmo a apetecer uma pausa, não está caros bonaefidenses?

Paciência, precisa-se...

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Esta semana tenho aqui deixado posts a mais, não acham?

Como o fim de semana está à porta, e esperam-me várias horas de estudo, sem tempo para o nosso blog, resolvi aqui deixar um texto que me acompanha há já algum tempo e que hoje, como em tantos outros dias, define o meu estado de espírito.
Espero que gostem...

"Eu nunca fiz senão sonhar. Tem sido esse, e esse apenas, o sentido da minha vida. Nunca tive outra preocupação verdadeira senão a minha vida interior. As maiores dores da minha vida esbatem-se-me quando, abrindo a janela para dentro de mim, pude esquecer-me na visão do seu movimento.
Nunca pretendi ser senão um sonhador. A quem me falou de viver nunca prestei atenção. Pertenci sempre ao que não está onde estou e ao que nunca pude ser. Tudo o que não é meu, por baixo que seja, teve sempre poesia para mim. Nunca amei senão coisa nenhuma. Nunca desejei senão o que nem podia imaginar. À vida nunca pedi senão que passasse por mim sem que eu a sentisse. Do amor apenas exigi que nunca deixasse de ser um sonho longínquo. Nas minhas próprias paisagens interiores, irreais todas elas, foi sempre o longínquo que me atraiu, e os aquedutos que se esfumam - quase na distância das minhas paisagens sonhadas, tinham uma doçura de um sonho em relação às outras partes da paisagem - uma doçura que fazia com que eu as pudesse amar. A minha mania de criar um mundo falso acompanha-me ainda, e só na minha morte me abandonará. […]
Em mim o que há de primordial é o hábito e o jeito de sonhar. As circunstâncias da minha vida, desde criança sozinho e calmo, outras forças talvez, amoldando-me de longe, por hereditariedades obscuras a seu sinistro corte, fizeram do meu espírito uma constante corrente de devaneios. Tudo o que sou está nisto, e mesmo aquilo que em mim mais parece longe de destacar o sonhador, pertence sem escrúpulo à alma de quem só sonha, elevada ela ao seu maior grau.
Quero, para meu próprio gosto de analisar-me, ir, à medida que a isso me ajeite, ir pondo em palavras os processos mentais que em mim são um só, esse, o de uma vida devotada ao sonho, de uma alma educada só em sonhar. [...]
Porque eu não só sou um sonhador, mas sou um sonhador exclusivamente. O hábito único de sonhar deu-me uma extraordinária nitidez de visão interior. Não só vejo com espantoso e às vezes perturbante relevo as figuras e os décors dos meus sonhos, mas com igual relevo vejo as minhas ideias abstractas, os meus sentimentos humanos - o que deles me resta -, os meus secretos impulsos, as minhas atitudes psíquicas diante de mim próprio. Afirmo que as minhas próprias ideias abstractas, eu as vejo em mim, eu com uma interior visão do real as vejo num espaço interno. E assim os seus meandros são-me visíveis nos seus mínimos.
Por isso, conheço-me inteiramente, e, através de conhecer-me inteiramente, conheço inteiramente a humanidade toda."

Bernardo Soares, Livro do Desassossego

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Banco Português de Núpcias

"É impressão minha ou o caso BPN fica mais enternecedor a cada dia que passa? Tem sido comovente desde o início, mas estes últimos episódios foram mais emocionantes que o fim de Casablanca. À semelhança do que costuma acontecer nas histórias tristes, esta também tem um inválido, como o Tiny Tim, do Dickens. O caso BPN tem, aliás, vários inválidos, e curiosamente são todos ceguinhos: o Banco de Portugal não viu que havia falcatruas, os administradores do banco não repararam que o presidente praticava um tipo de gestão que a lei, ao que parece, proíbe…
E agora estamos no ponto em que entra em cena a injustiça: Oliveira e Costa foi acusado de burla agravada, falsificação de documentos, fraude fiscal e branqueamento de capitais. Quem o acusa de enriquecimento ilícito só pode desconhecer o seu desarmante altruísmo. Segundo o Correio da Manhã, em Março deste ano, Oliveira e Costa divorciou-se da mulher com quem era casado havia 42 anos, e passou os bens para o nome da senhora. Muito embora o divórcio se tenha realizado por mútuo consentimento, não deixa de ser admirável que um homem premeie a mulher de forma tão generosa na hora da separação. Trata-se do rigoroso oposto do «golpe do baú»: o objectivo não é casar para ficar rico, é divorciar-se para enriquecer o cônjuge. Que um homem tão desprendido dos bens materiais seja acusado daqueles crimes é simplesmente revoltante.
E é em alturas como esta que damos por nós a pensar que, quando os homossexuais tentam fazer pouco da nobre instituição do matrimónio, reivindicando o direito a casar, esquecem que o casamento não é uma brincadeira, nem um contrato sem significado que possa ser alargado às pessoas do mesmo sexo. O casamento é uma união sagrada entre um homem e uma mulher que partilham um projecto de vida comum, e essa união persistirá eternamente a menos que a polícia queira engavetar um dos cônjuges ao fim de 42 anos e levar-lhe a massa que ele acumulou indevidamente. Os homossexuais que não queiram vir corromper o instituto com que o Estado premeia as pessoas que formam o núcleo essencial da sociedade. Era o que faltava, vir essa gente conspurcar uma coisa tão bonita.
Mais do que fazer história no plano jurídico, na medida em que, pela primeira vez, foi preso um banqueiro em Portugal, o caso BPN pode fazer história no plano social: além do casamento por interesse, aparentemente acaba de se instituir o divórcio por interesse. Casar com um homem rico é um sonho do passado.
A ambição moderna é divorciar-se de um banqueiro. Sendo menos aviltante, consegue ser mais lucrativo."

Ricardo Araújo Pereira
in visão
Não resisti a transcrever esta crónica, que está simplesmente hilariante...
A crónica do António Lobo Antunes desta semana também está, na minha modesta opinião, genial: leiam!

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Simplesmente sem palavras....

Sentado na rocha ao pé do mar,
Só agora me apercebo da realidade da vida,
Bem diferente das nossas ideias,
O lado negro das crateras da lua.

Se me importo com tudo isto?
Talvez me importe mais por não ter compreendido mais cedo..
Mas todo o ser vive no seu mundo...
Idealizado. Obscuro.

Cresce a velocidade do vento.
Comparável à mudança repentina da
noite para o dia
na nossa vida.
Hoje de manhã tínhamos as mãos unidas e o sorriso brilhante.
Agora não te vejo...
as tuas mãos não sinto...
a tua cara não imagino.
É o eufemismo da vida.

Por vezes, tudo parece imutável,
raio do tempo que tudo muda.
Até as rochas que me apoiam desapareceram
com o embater das agressivas ondas...

O próprio calor que era a causa da minha vinda...
já se foi...
O que há agora não é mais
do que uma brisa gelada,
me chateia e entristece.

Preparo-me para ir...
É já de pé que te vejo.
Sentada o suficientemente longe para que não te veja...
mas o suficientemente perto para que me sintas...

Apesar de tudo...
No fim, lá estava ela.


PARABÉNS
e continua a escrever..

Presentes de um poeta

"Um pobre e esplêndido poeta, o mais atroz dos
desesperados, escreveu esta profecia: " Ao amanhecer,
armados de uma ardente paciência, entraremos
nas explêndidas cidades. " Eu creio nessa profecia de Rimbaud...
Sempre tive confiança no homem. Não perdi jamais a
esperança. Por isso talvez tenha chegado até aqui
com a minha poesia, e também com a minha bandeira.
Em conclusão, devo dizer aos homens de boa vontade,
aos trabalhadores, aos poetas, que todo o porvir foi
expresso nessa frase de Rimbaud: só com uma ardente
paciência conquistaremos a explêndida cidade que dará luz,
justiça e dignidade a todos os homens.
Assim a poesia não terá cantado em vão. "

Pablo Neruda
Discurso del Prêmio Nobel

Parece que hoje é o aniversário de alguém? Aqui fica o meu presente e um beijo de parabéns!

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Ultimato II

Como impulsionador e verdadeiro mentor e construtor deste espaço, venho declarar o meu entrestecimento pelo caminho que tem sido dado a este blog. Ao inicio, pedia-se um blog sério dotado de uma diversidade cultural e politica capaz de chamar a atenção a cada um que abrisse a página, nem que fosse por engano. Hoje, quando abro este blog, vejo coisas que vão para lá da comédia ou provocação tolerável, transformando-se em ofensas, mau gosto e, sem dúvida, arrepiante. Repudio tudo o que desvirtua a mensagem inicial deste blog, hoje estamos muito longe da ratio da sua criação.

Não preciso de referir nomes, nem apontar o dedo. Gente crescida não precisa que lhe mostrem o caminho. Nunca pensei dizer isto, porque, no inicio, dizia sempre : "posta qualquer coisa, o que te vier a cabeça", hoje peço-vos que pensem muito bem no que aqui vão colocar, porque hoje a quantidade aumentou drasticamente, mas a qualidade, essa desceu a pique. E as queixas fazem-se notar...

Espero que a mensagem tenha sido entendida. Porque quem cria, também modifica ou, simplesmente, extingue.

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Para corrigir algumas ideias...e ouvidos.



Quase Perfeito!!!!

OA

Orçamento de Marinho chumbado após sete horas e alguns incidentes

"O Orçamento da Ordem dos Advogados foi esta madrugada reprovado, por larga maioria, numa assembleia muito concorrida que terminou depois das 3h. Mais de três quartos dos 3786 votantes votaram contra Marinho Pinto."
in sol

Pessoalmente nunca gostei deste bastonário. Esta é mais uma evidência que não é a pessoa certa no lugar certo.
Uma ordem profissional do cariz da dos advogados precisa de estabilidade e sensatez para ser útil à sociedade: este homem não oferece nenhuma dessas qualidades, fala de mais e quando não deve.

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Um "puto" com garra




Na passada segunda feira, podemos todos apreciar a apresentação do novo disco "A Palma e a Mão" de João Pedro Pais. Com o Casino Lisboa cheio, cantou músicas de sempre e com a sua humildade, boa disposição e a garra que o caracteriza em palco passamos todos uma óptima noite .

Dizia ele: "obrigado por saírem de casa a uma segunda a noite para virem até aqui"
E eu digo: Para ouvir boa música portuguesa, claro que sim...

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Um simples adeus...

Adeus

Já gastámos as palavras pela rua, meu amor,
e o que nos ficou não chega
para afastar o frio de quatro paredes.
Gastámos tudo menos o silêncio.
Gastámos os olhos com o sal das lágrimas,
gastámos as mãos à força de as apertarmos,
gastámos o relógio e as pedras das esquinas
em esperas inúteis.

Meto as mãos nas algibeiras e não encontro nada.
Antigamente tínhamos tanto para dar um ao outro;
era como se todas as coisas fossem minhas:
quanto mais te dava mais tinha para te dar.
Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes.
E eu acreditava.
Acreditava,
porque ao teu lado
todas as coisas eram possíveis.

Mas isso era no tempo dos segredos,
era no tempo em que o teu corpo era um aquário,
era no tempo em que os meus olhos
eram realmente peixes verdes.
Hoje são apenas os meus olhos.
É pouco mas é verdade,
uns olhos como todos os outros.

Já gastámos as palavras.
Quando agora digo: meu amor,
já não se passa absolutamente nada.
E no entanto, antes das palavras gastas,
tenho a certeza
de que todas as coisas estremeciam
só de murmurar o teu nome
no silêncio do meu coração.

Não temos já nada para dar.
Dentro de ti
não há nada que me peça água.
O passado é inútil como um trapo.
E já te disse: as palavras estão gastas.

Adeus.


Eugénio de Andrade

Melancolia matinal...

Há melhor maneira de começar a semana do que com um verdadeiro romance? Estava a procurar um bom excerto e dou de caras com isto, não poderia ter sido melhor.

"- Carlinhos da minha alma, é inútil que ninguém ande à busca da "sua mulher". Ela virá. Cada um tem a "sua mulher", e necessariamente tem de a encontrar. Tu estás aqui, na Cruz dos Quatro Caminhos, ela está talvez em Pequim; mas tu, aí a raspar o meu repes com o verniz dos sapatos, e ela a orar no templo de Confúncio, estais amboa insensivelmente, irresistívelmente, fatalmente, marchando um para o outro!..."

O Ega tem sempre razão...

domingo, 23 de novembro de 2008

Momento Zen

sábado, 22 de novembro de 2008

O lado selvagem



É uma história verídica de coragem, resistência, em busca da felicidade e da liberdade.
Que jovem absolutamente fascinante, corajoso, extremamente inteligente, um visionário.
Christopher McCandless procurou essa felicidade e essa liberdade na natureza mas foi essa mesma natureza que se mostrou impiedosa com ele.
O que mais posso dizer, claro que o livro é mais rico em detalhes,mas o filme apesar de como sempre nunca supera o livro torna tudo mais palpável. . Um rapaz que sempre teve tudo,farto de uma existência hipócrita e materialista, que após acabar a sua licenciatura com distinção, abandona tudo e doa todo o seu dinheiro para fazer a sua tão esperada e última viagem. Mostra-nos o repúdio de um jovem sonhador pelo dinheiro, pela civilização que o sufoca.. faltava-lhe a liberdade, um som do vento, a harmonia com a natureza, as pequenas coisas da vida... Apesar de ser um pouco utópico e de levar a sua leitura e os seus ideais muito a letra, não o consigo criticar como muitos fizeram ao saber da sua história, chamando-o de imaturo que não passava de um menino mimado, que foi tão estúpido ao ponto de ser engolido pela sua própria ilusão... Claro que podemos argumentar que se não fosse tão teimoso poderia contar ele próprio a sua fantástica aventura, os sítios por onde passou, as pessoas que conheceu, mas no fundo ele realizou o que muitos de nós, apesar de o fazer muito radicalmente, queria fazer um dia, viver simplesmente livre. Toda esta história levou-me a estados de espírito controversos, que me fez pensar na minha vida, na forma como a estou a viver, na sociedade que fazemos parte.. Com uma interpretação brilhante do actor Emile Hirsh, que soube dar a emoção perfeita a sua personagem, umas imagens de cortar a respiração, uma banda sonora fantástica da responsabilidade de Eddie Vedder, o vocalista dos Pearl Jam, é um livro que aconselho, para ser logo de seguida completado com o visionamento do filme.
No trágico desfecho, Chis, chega a dolorosa conclusão, que " A felicidade só é real quando partilhada" todavia, já era tarde.

Deixo-vos com uma frase do livro e uma imagem do protagonista real desta história, na sua aventura pelo Alasca:



"Antes do Amor, do dinheiro, da fé, da fama, da lealdade...dá-me a verdade"

P.S: obrigado pelo livro Catarina

Um pózinho de coisa nenhuma...

“Eu nunca fiz senão sonhar. Tem sido esse, e esse apenas, o sentido da minha vida. Nunca tive outra preocupação verdadeira senão a minha vida interior. As maiores dores da minha vida esbatem-se quando, abrindo a janela para dentro de mim, pude esquecer-me da visão do seu movimento.

Nunca pretendi ser senão um sonhador. A quem me falou de viver nunca prestei atenção. Pertenci sempre ao que não está onde estou e ao que nunca pude ser. Nunca amei coisa nenhuma. Nunca desejei senão o que nem pudia imaginar. À vida nunca pedi senão que passasse por mim sem que eu a sentisse. Do amor apenas exigi que nunca deixasse de ser um sonho longínquo. Nas minha próprias paisagens interiores, irreais todas elas, foi sempre o longínquo que me atraíu, e os aquedutos que se esfumavam - quase na distância das minhas paisagens sonhadas, tinham uma doçura de sonho em relação às outras partes da paisagem - uma doçura que fazia com que eu as pudesse amar.”

Fernando Pessoa, Livro do desassossego

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

-Posso?
-Não sei. Queres? - disse eu.
-O que é que te parece?
-Então vá, senta-te. Vens bonita hoje...
-Não costumo andar bonita?
-Costumas, mas não dessa forma. Costumas estar mais natural. Nem sequer estou habituado a ver-te maqueada. Sapatos de verniz... luxo, hein?
-Não sejas parvo. Sabes porque é que eu aqui vim, não sabes?
-Sei, mas acho que vens perder o teu tempo. - um sorriso de gozo começava a aparecer-me nos lábios.
-Mas primeiro diz-me, o que é que estás a fazer aqui?
-O mesmo de sempre. Hoje é um daqueles dias em que não posso escrever. Não tenho a dita "inspiração".
-Nunca me explicaste, porque é que vens escrever para este sítio? - disse ela num tom inquisidor.
-Não entendes? Porque foi aqui que nos conhecemos.
-Sentes-te bem aqui? Trago-te boas memórias?
-Não! - dá-me prazer responder-lhe assim, desprendido dela.
-Mas então porque é que vens?
-Acredita que não sei... acho que tem a ver com o facto de ter árvores...
-E putas à noite!
-Tu conheces-me. Sabes que isso não me interessa.
-Pois sei... eu conheço-te melhor que ninguém.
-É verdade!
-Ainda me amas?
-Não! "Rien de rien". - Ninguém sonha como me custou a dizer-lhe aquilo.
-Eu sei que é verdade. Desculpa... - uma lágrima seca rola-lhe pelo rosto. Levanta-se olha-me nos olhos e diz: - Ainda te amo, volta para mim.
- Isso é uma questão ainda por resolver.
Foi-se embora. Finalmente! Ela nem sonha como a presença dela me estava a fazer mal. Reparo agora, ao meu lado no banco de jardim deixou uma cópia da chave da casa dela. Guardo-a no bolso e levanto-me.

deste vosso amigo
Ando farto! Deixem-me da mão!
Não perguntem, nem opinem.
Desapareçam-me da visão,
Não me tirem a fuligem!

Ando farto! Larguem-me de vez!
Desinteressem-se de mim.
Matem-me talvez,
Quero lá saber se for assim.
também deste vosso amigo

Porque às vezes é necessário ter sensibilidade (e bom-senso).

"Sempre me lembro de ter ouvido o mar. De mistura com o vento nas folhas das palmeiras bravas, um vento que nunca deixa de soprar, mesmo quando nos afastamos da costa e avançamos canaviais adentro: é o ruído de fundo que acompanhou a minha infância. Ouço-o agora, no mais íntimo de mim, e levo-o comigo para onde quer que vá. O marulho lento, incansável, das ondas que se quebram ao longe na barra de coral e depois vêm morrer na areia do Rio Negro. Não passa um dia sem que vá ao mar, nem uma noite sem acordar com as costas alagadas em suor, soerguido na minha cama de campanha, afastando o mosquiteiro e procurando avaliar a altura da maré, inquieto, tomado dum desejo que não compreendo.
Na escuridão, penso no mar como se fosse uma pessoa humana, com todos os sentidos despertos para melhor o ouvir chegar, para melhor o receber. As vagas gigantescas cavalgam os recifes, vêm desabar na laguna e o estouro faz vibrar a terra e o ar como um caldeirão. Ouço-o, o mar mexe-se, respira."

O Caçador de Tesouros, Le Clézio.

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Isto sim é Bocage FNL =)

O ledo passarinho, que gorjeia
D'alma exprimindo a cândida ternura,
O rio transparente, que murmura,
E por entre pedrinhas serpenteia:

O Sol, que o céu diáfano passeia,
A Lua, que lhe deve a formosura,
O sorriso da aurora alegre e pura,
A rosa, que entre os zéfiros ondeia;

A serena, amorosa Primavera,
O doce autor das glorias que consigo,
A deusa das paixões, e de Cítera:

Quanto digo, meu bem, quanto não digo,
Tudo em tua presença degenera,
Nada se pode comparar contigo.

Bocage

Sempre adorei a história deles...

Tentando repor algum nível cultural a este blog - que já teve melhores dias:

Pedro, lembrando Inês

Em quem pensar, agora, senão em ti? Tu, que
me esvaziaste de coisas incertas, e trouxeste a
manhã da minha noite. É verdade que te podia
dizer: "Como é mais fácil deixar que as coisas
não mudem, sermos o que sempre fomos, mudarmos
apenas dentro de nós próprios?" Mas ensinaste-me
a sermos dois; e a ser contigo aquilo que sou,
até sermos um apenas no amor que nos une,
contra a solidão que nos divide. Mas é isto o amor:
ver-te mesmo quando te não vejo, ouvir a tua
voz que abre as fontes de todos os rios, mesmo
esse que mal corria quando por ele passámos,
subindo a margem em que descobrí o sentido
de irmos contra o tempo, para ganhar o tempo
que o tempo nos rouba. Como gosto, meu amor,
de chegar antes de ti para te ver chegar: com
a surpresa dos teus cabelos, e o teu rosto de água
fresca que eu bebo, com esta sede que não passa. Tu:
a primavera luminosa da minha expectativa,
a mais certa certeza de que gosto de ti,como
gostas de mim, até ao fim do mundo que me deste.

Nuno Júdice

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Momento Zen



"Tento ter a força para levar o que é meu
Sei que às vezes vai também um pouco de nós
Devo concordar que às vezes falta-nos a razão
Mas nego que há razões para nos sentirmos tão sós
Vem fazer de conta eu acredito em ti
Estar contigo é estar com o que julgas melhor
Nunca vamos ter o amor a rir para nós
Quando queremos nós ter um sorriso maior "